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quinta-feira, 25 de maio de 2017



"Tenho aprendido com o tempo que a felicidade vibra na frequência das coisas mais simples. Que o que amacia a vida, acende o riso, convida a alma pra brincar, são essas imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano. Como o toque bom do sol quando pousa na pele. A solidão que é encontro. O café da manhã com pão quentinho e sonho compartilhado. A lua quando o olhar é grande. A doçura contente de um cafuné sem pressa. O trabalho que nos erotiza. Os instantes em que repousamos os olhos em olhos amados. O poema que parece que fomos nós que escrevemos. A força da areia molhada sob os pés descalços. O sono relaxado que põe tudo pra dormir. A presença da intimidade legítima. A música que nos faz subir de oitava. A delicadeza desenhada de improviso. O banho bom que reinventa o corpo. O cheiro de terra. O cheiro de chuva. O cheiro do tempero do feijão da infância. O cheiro de quem se gosta. O acorde daquela risada que acorda tudo na gente. Essas coisas. Outras coisas. 
Todas, simples assim."



(Ana Jácomo)

quinta-feira, 11 de maio de 2017

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Oi gente!

Pelo motivo de "falta de tempo" não publicarei mais as crônicas da Martha Medeiros aqui no blog, mas vocês poderão encontra-las na página do jornal Zero Hora - Martha Medeiros - Zero Hora e na
página Crônicas de Martha Medeiros no Facebook.

Um abraço

Lu
;)



sexta-feira, 5 de maio de 2017

quinta-feira, 4 de maio de 2017


"É tão particular o meu encontro quando é com você
O meu sorriso quando tem o teu pra acompanhar
As minhas histórias quando você para pra escutar
A minha vida quando tenho alguém pra chamar
De vida"


(Anavitória - Singular)

terça-feira, 2 de maio de 2017

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 30/04/17

Apoteótico


Nada de traje passeio ou passeio completo. Era assim mesmo que estava escrito no convite: “Dress code: apoteótico”

Recebi convite para uma festa, mas não qualquer festa. O aniversariante era um dos ícones da cena cultural brasileira e o evento prometia parar a noite de São Paulo. Me dei conta do tamanho da encrenca quando li o dress code sugerido: apoteótico. Nada de traje passeio ou passeio completo. Era assim mesmo que estava escrito no convite: Dress code: apoteótico.

Nem o descolado guia da Mauren Motta, Socorro! Com que Roupa Eu Vou? havia me preparado para esse desafio. O que seria uma roupa apoteótica? Teria que fazer uma busca no closet da Claudia Raia? Apelar para alguma rainha de bateria? Cheguei a pensar que um jeans rasgado e uma camiseta branca poderia causar um efeito triunfal às avessas, e já estava quase levando essa ideia a cabo quando minha mãe me mostrou uma foto da minha festa de 15 anos, em que aparecíamos abraçadas. Ela perguntou: o que você acha deste vestido?

Pânico. Até então sua atividade cerebral andava perfeita, como poderia ter degringolado tão rapidamente?

“Mãe, você está sugerindo que eu vá com o meu vestido de 15 anos?”

Ela: “Martha, você não guarda nem o recibo da conta de luz, acha mesmo que eu acreditaria que guarda um vestido que usou aos 15 anos? E mesmo que guardasse, ele hoje estaria completamente amarelado e com mais rombos do que esse jeans destruído que você não tira do corpo”.

Ufa. Atividade cerebral em pleno funcionamento.

“Estou perguntando sobre o meu vestido, Martha, o meu!”

Minha mãe guarda não só todos os recibos da conta de luz desde que Thomas Edison inventou a lâmpada, como tudo o que tiver valor afetivo, e pra ela tudo tem – incluindo roupas que inexplicavelmente não amarelam e não são devoradas por traças. Olhei bem dentro dos seus olhos a fim de detectar algum prenúncio de loucura, mas ela continuou me encarando como se estivesse em seu juízo perfeito.

Na festa havia mulheres deslumbrantes vestidas com muito brilho (uma inclusive com lampadinhas acesas por baixo de uma saia de tule – medo!), outras vestindo quase nada, algumas com roupas de princesa, outras fantasiadas de personagens que não conheço e adivinhe quem roubou a cena? Claudia Raia, claro. Poderosa numa túnica longa de tecido dourado reluzente e com um capuz misterioso na cabeça, de um glamour a toda prova.

Eu fui com o vestido preto que minha mãe usou na minha festa de debutante – há exatos 40 anos. Segui a tendência de Hollywood: moda sustentável, elegância vintage, espírito retrô – só a cara de pau ainda estava com a etiqueta. Apoteose? Temos.



Jornal Zero Hora - 30 abril 2017
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quarta-feira, 26 de abril de 2017


ღ #solitude #serenity:

"Meias verdades
Meias vontades
Meias saudades

Viver pela metade é ilusão
Tire suas meias
Ponha o pé no chão"




(Augusto Barros)

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 26/04/17

Oásis


Os desertos me atraem. O silêncio absoluto em meio a um universo infinito. Nenhuma ansiedade, apenas o contato profundo consigo mesmo.

Vivo no oposto de um deserto, numa urbe habitada por muita gente, sonorizada por buzinas e freadas. Uma cidade que, como outras, induz a um comportamento automático e racional: trabalhar para ganhar meu sustento, trazer comida pra casa, combater meu sedentarismo com atividades físicas, socializar com meus pares, me informar sobre o que acontece no mundo, compartilhar minha opinião nas redes sociais, cuidar da minha saúde e da minha aparência. Nada disso é um castigo, mas toma todo o meu dia e, quando dou por mim, é hora de ir para a cama e dormir.

Algumas pessoas meditam, outras rezam, outras ainda se refugiam num bom livro – as escapatórias necessárias, uma volta para dentro de si, aquele momento chamado “seu”, fundamental.

Tenho os meus, e hoje em dia eles têm acontecido com mais regularidade dentro de uma sala de cinema. Nem Netflix, nem Now, nem DVD, nada se compara ao deslocamento físico e à introspecção buscada: ainda não abro mão do ritual do ingresso, assento, luzes apagadas, foco. É onde todos os meus instintos afloram (inclusive os assassinos: se você também não suporta quem faz barulho com sacos de balas e pipocas, testemunhe a meu favor caso eu vá a julgamento).

Nesta semana, assisti a Paterson, de um dos meus cineastas prediletos, Jim Jarmusch. Nada mais precário que um resumo de filme em três linhas, mas é sobre um motorista de ônibus que todos os dias, após o trabalho, leva seu cachorro pra passear pelo mesmo trajeto, toma uma cerveja no mesmo bar e volta para os braços da sua linda e mesma esposa, dormindo o sono dos justos – entrementes, escreve poemas num caderninho.

Só isso. Tudo isso.

Por tudo, entenda-se: todo dia repetitivo é também um novo dia. É preciso delicadeza na prática de qualquer convivência. Há poesia no cotidiano. Carinho também é amor. Ninguém é igual aos outros e ninguém é muito diferente dos outros. O que nos comove está sempre no subtexto.

Paterson é um oásis neste deserto às avessas, em que vivemos em meio a muito barulho sem sentimento, muito movimento sem pausa, muita relação sem entrega. Um momento seu para extrair de dentro da alma. Esta mesma alma que me escapa agora pela ponta dos dedos.



Jornal Zero Hora - 26 abril 2017
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Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 23/04/17

Gostosa!


Chamar de gostosa (ou gostoso) sem haver intimidade entre ambos é inadequado e grosseiro, mas não é uma ameaça

Faz bastante tempo. Uma das mulheres mais poderosas do jornalismo brasileiro, respondendo a uma entrevista, disse que, chegada à meia-idade, já não queria ser chamada de inteligente, preferia que a considerassem gostosa. Claro que isso não foi dito em tom solene, e sim com o largo sorriso que acompanha as declarações provocativas.

“Não me chamem de inteligente e sim de gostosa.” O que essa frase contém? Autoestima: a jornalista em questão sabe que é inteligente e já não precisa desta confirmação. Vaidade: ser considerada gostosa na meia-idade faz bem para o ego. Bom humor: a frase desconstrói uma verdade estabelecida, a de que a mente é superior ao corpo. Liberdade: ainda que pareça frívola, a jornalista não abre mão de dizer o que pensa. Machismo: reforçou que ser apetitosa é um valor.

Imagino que ela não deva ter mudado de opinião, mas hoje talvez não repetisse esta frase em voz alta. Acabaria sendo considerada uma incentivadora do assédio, se não sexual, certamente moral. As mulheres andam bastante atentas contra qualquer atitude que as deprecie e isso é fundamental para mudar a mentalidade machista reinante, mas há uma histeria no ar, ou só eu que acho?

Tenho tentado lembrar se já sofri assédio. Minha memória não é de confiança, mas até onde ela alcança, a resposta é não. Se sofri, talvez tenha desconsiderado – o que me torna cúmplice e não vítima. Mas lembro claramente de duas situações constrangedoras: quando o assédio partiu de mulheres, e não de homens. Que nome dar a isso? Machismo também? Como é que se denomina o fato de uma mulher passar a mão na outra sem autorização ou incentivo?

Mexeu com qualquer um, mexeu com todos – este deveria ser o slogan. Todos por todos, vigilantes contra abusos em geral. Entendo que o foco feminista é importante para, repito, mudar uma mentalidade antiquada que, de tão absorvida, já ninguém discute seus danos. Os homens precisam de freio, concordo. Mas quem não precisa?

Em 2003, escrevi sobre um caso que aconteceu na Noruega: um homem denunciou uma mulher que fez sexo oral nele enquanto ele estava desacordado em uma festa. Que boiola, pensaram muitos. Mas igualdade de direitos é isso. Vale para todos.

Freio para José Mayer, freio para José da Silva, freio para Maria da Silva, freio para qualquer pessoa, de qualquer gênero, que violente quem quer que seja. Já chamar de gostosa (ou gostoso) sem haver intimidade entre ambos é inadequado e grosseiro, mas não é uma ameaça. Somos suficientemente inteligentes para distinguir o que é crime e o que não é.




Jornal Zero Hora - 23 abril 2017
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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 19/04/17

Turbilhão

Fico escutando as quantias (dois milhões, quatro, nove) e a cifra vai aumentando até que de milhões a bilhões muda apenas a consoante no início da palavra, pois parece que já não se trata de dinheiro – entramos num território mais subjetivo e intangível.

Que grana toda é essa que saía de uma conta corrente para entrar em outra, numa transferência que parecia uma simples jogada do Banco Imobiliário? O brinquedo da Estrela existe até hoje e é assim descrito nos sites de venda: “Você agora poderá ser um próspero proprietário de imóveis. Ter crédito em banco, títulos, terrenos, casas e hotéis nos melhores pontos da cidade. Onde o céu é o limite! Cabe a você investir tudo que possui para tornar-se um milionário e monopolizar o mercado imobiliário. Para isso, você terá que provar que tem faro para os negócios”.

Dinheiro de papel. A gente se divertia com isso. Era fácil se sentir rico. Ter o céu como limite. Em que momento a pessoa se apega tanto a uma fantasia infantil, que não consegue mais crescer? Troca dinheiro de papel por dinheiro de verdade sem perceber que está negociando outros valores.

Ouço, leio: 7 milhões, 25 milhões, 300 milhões. E apenas uma palavra me vem à cabeça: pobreza. Que vida miserável. Não bastasse a total ausência de escrúpulos, a pessoa não consegue se contentar com o suficiente, nunca atinge um montante que sirva para apaziguar sua insignificância. A ganância é um sorvedouro, o muito é pouco, é nada para quem carrega dentro de si um buraco profundo no lugar onde deveria haver retidão.

Dizem que todo mundo tem um preço. Qual o meu, qual o seu? Que saldo deveria aparecer em nosso extrato para nos sentirmos seguros, satisfeitos e dizer: ok, já tenho o que preciso, me basta.

Não é aos 30 nem aos 40 anos de idade que a gente começa a acumular bens. Nosso patrimônio é constituído bem mais cedo, antes até de aprendermos a brincar com o Banco Imobiliário. É o que investiram em nós, na infância, que vai determinar para que servirá, de verdade, o nosso faro, se para correr atrás de uma vida digna ou para enfiar o nariz numa lixeira.

Se fizerem investimentos no nosso caráter, na nossa inteligência, na nossa segurança emocional, seremos tão ricos que não nos importaremos de parecer uma pessoa barata aos olhos dos outros – nos contentaremos com uma casa boa e não gigante, com um carro legal e não um tanque de guerra, e nos vestiremos com despojamento em vez de desfilar por aí feito uma árvore de Natal. Alguém tem medo de parecer barato aos olhos dos outros?

Infelizmente, a lista é longa. Bem mais longa do que a do Fachin.



Jornal Zero Hora - 19 abril 2017
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Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 16/04/17

Vampirismo


Para o bem e para o mal, tudo o que o artista sente é processado e traduzido de alguma forma para as obras que cria. Sorte da plateia

Outro dia uma pessoa me perguntou: você vampiriza as pessoas que conhece para escrever seus textos?

Vampirizar é um verbo ao mesmo tempo charmoso, por invocar algo cinematográfico, e nefasto, pelo seu potencial destruidor. Não me soou bem, parecia que eu era um personagem de filme noir, uma maquiavélica toda vestida de preto, sedutora, disposta a arrancar o sangue dos meus interlocutores e devolvê-los à rua feito zumbis, ocos por dentro.

Disse a ela: claro que tudo o que escuto aqui ou ali me serve de inspiração, a vida é minha matéria-prima, e não vivo isolada, minhas emoções são provocadas por gente com quem me relaciono e elas acabam incluídas no meu repertório criativo, mas...

Ah, o mas. Mas não exponho ninguém de forma maldosa, narro as situações com alguns acréscimos fictícios, não entrego nomes nem detalhes identificáveis – respeito a discrição alheia, e a minha, inclusive.

A não ser que seja um elogio público, aí quem não gosta de ser citado?

Lembro uma entrevista de uma importante compositora e cantora. O entrevistador perguntou se ela já havia transado com alguém só para extrair da transa uma música. Ela respondeu que não, mas que era inevitável que as coisas se misturassem, e contou que certa vez estava saindo com um cafajeste e ligou para uma amiga dizendo: “Ele foi embora! Ele me deixou!”. A amiga interrompeu e perguntou: “Quantas canções?”. A cantora respondeu: “Não fale assim, ele me deixou, isso é horrível!”. A amiga insistiu: “Quantas canções?”. A cantora respondeu: “Três”. A amiga: “Ótimo, nós amamos esse cara”.

É isso. Para o bem e para o mal, tudo o que o artista sente é processado e traduzido de alguma forma para as obras que cria. Sorte da plateia.

Nós amamos todas as garotas que fizeram os Beatles comporem She Loves You, I Want to Hold Your Hand e Oh, Darling. Todos os homens que piraram Tina Turner e Janis Joplin. Todos os pais opressivos de rebeldes que fugiram de casa e transformaram sua errância em acordes de guitarra. Todos os amigos que traíram Eric Clapton, todas as amantes de Mick Jagger, todos os sanguessugas com quem Billie Holiday e Amy Winehouse se meteram, todos os desalmados que fizeram Cazuza e Renato Russo atravessarem madrugadas curtindo uma fossa e rabiscando versos em guardanapos. Sem falar nos quadros, filmes e livros que nasceram de desavenças familiares, vinganças entre guetos, distúrbios emocionais inspirados por mães indiferentes.

Não há autor que não se abasteça da própria experiência e exorcize sua dor com o seu talento. Se isso é vampirismo, só nos resta erguer um altar para quem entrou com o pescoço.




Jornal Zero Hora - 16 abril 2017
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sábado, 8 de abril de 2017

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 09/04/17

Todos os sentidos da vida


No final das contas, o que somos? Matéria bruta esculpida por desejos, projeções e inocência

Assisti ao filme que deveria ter ganhado o Oscar se tivesse concorrido: Mulheres do Século XX, de Mike Mills, com a estupenda Annette Bening, que também mereceria a estatueta. Na verdade, o filme concorreu apenas na categoria roteiro, e não levou. E a Academia deve ter razão, claro. Eu é que tenho uma queda pelos alternativos.

A história se passa em Santa Bárbara, Califórnia, 1979. Dorothea, 55 anos, vive num casarão antigo que está sendo reformado, e cria sozinha um filho de 15, Jamie. Para ajudá-la a educar Jamie, Dorothea convoca reforços: a melhor amiga dele, uma lindinha de 17, e uma inquilina outsider de 24. É a força-tarefa que todo adolescente sonha.

Era uma época em que o cigarro ainda não era demonizado e o cinto de segurança não passava de um acessório supérfluo de Fuscas e Mavericks. Logo ali, dobrando a década, iríamos nos apavorar com a Aids, perder John Lennon e começar a ajoelhar para o politicamente correto, sem falar na internet, que viria mudar tudo. Era melhor naquele tempo ou avançamos? Não pergunte para essa minha alma riponga.

Há cenas inesquecíveis. Dorothea tentando entender a cultura punk, mas se rendendo, no máximo, ao Talking Heads. A palavra menstruação sendo invocada à mesa do jantar para “quebrar paradigmas” – em abril ma atuação carismática da atriz Greta Gerwig. A turma reunida em torno da tevê assistindo a um discurso histórico de Jimmy Carter. E o expressivo ator Lucas Jade Zumman, que interpreta Jamie, nos ganha do início ao fim. Um garoto cool descobrindo a vida e a sexualidade através de três mulheres malucas e divinas.

O título sugere um filme feminista, e também é. Vemos mulheres donas de seus narizes que recusam o título de piranhas por privilegiarem o sexo, mas também vemos mulheres modernas reivindicando o direito de serem mães e sentindo falta de romantismo e fantasia. Vemos tudo, porque vida é isso – tudo.

Ainda o filme: é sobre o que a gente pensa que seremos no futuro, sem cogitarmos que o destino nos levará para um caminho diferente do que sonhamos. É sobre um “sentido da vida” magnânimo que não existe nem nunca existiu: o sentido está na emoção e na perplexidade de cada dia. É sobre a dificuldade de conhecermos alguém profundamente, em suas fragilidades e grandezas. No final das contas, o que somos? Matéria bruta esculpida por desejos, projeções e inocência.

Mulheres do Século XX é divertido, terno, nostálgico, psicodélico, humano, inteligente, poético, encantador. Um mosaico de pequenas descobertas e um grande consolo: a vida não precisa de sentido. Basta vivê-la.



Jornal Zero Hora - 09 abril 2017
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quarta-feira, 5 de abril de 2017



Imagem de afternoon, beach, and beautiful


"Eu ando achando que vai dar tudo certo.

Para os que buscam o que querem com lealdade e sem pisar no outro.

Para os que não desistem diante das dificuldades e não tem 
medo de enfrentar obstáculos. 

Para os que olham nos olhos porque não conseguem fingir ou mentir.

Para os que tocam a vida com humor quando dá, e 
com seriedade quando é preciso.

Para os que não discriminam, não criticam, não humilham nem 
alardeiam a fraqueza do outro.

Para quem tem coração generoso, alma limpa, sorriso sincero, 
para quem é do bem. 

Sim. Vai dar tudo certo!"




(Rita Maidana)
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