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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Dos desejos de Páscoa....



Rabiscos em fotos

e se terra pulasse
para o lado da lua


e o amor aceitasse
e eu pudesse ser sua?...




Delírios noturnos.


(Be Lins)



Para ler mais Be Lins: Uma Estrela Na Mão
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O post é sobre a Lua e a Terra,
a música é sobre a Lua e o Mar,
mas hoje tô assim, "enluarada"

A Lenda - Roupa Nova

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 16/04/14



- Antes de ler a crônica, clica Aqui


Certinha, mas nem tanto

A moça me escreveu do Rio de Janeiro, onde recentemente havia prestado concurso para um banco. Estava indignada, pois uma das questões da prova era de interpretação de texto – um texto meu – e ela não se conformava de ter errado. Havia marcado alternativa A, e o gabarito acusava que a resposta correta era a D. Ela me enviou a questão e perguntou: estou tão louca assim?

Nada louca. Eu teria marcado a questão A também, mas interpretação de texto é das coisas mais subjetivas que existe, não entendo como ainda consta de provas. Que em sala de aula se discuta o assunto, está certo, mas provas são eliminatórias, e a chance de se promover uma injustiça é grande. A moça que me escreveu foi injustiçada, assim como vários colegas dela que também não marcaram a resposta que a banca elegeu como a correta.

Lamento esses transtornos, mas ao mesmo tempo vibro quando me vejo inserida na sociedade por vias assim pitorescas. Inúmeras ocasiões profissionais me trouxeram orgulho – sessões de autógrafos, adaptações de teatro, palestras – mas é completamente diferente quando você se depara, por exemplo, com seu nome numa revista de palavras cruzadas, o que também já aconteceu. Virar desafio de palavras cruzadas, assim como motivar questões de provas, me faz sentir a própria Valesca Popozuda. É sinal de que você caiu na boca do povo. No melhor sentido.

Se já vivi essas duas experiências, digamos, mais populares, agora cheguei lá: meu nome está na letra de um hit da banda Bochincho. Você não conhece a banda Bochincho? Somos dois alienados, eu também não conhecia. Bochincho é um grupo de fandango que acaba de lançar a música Tá Querendo eu Dou. Narra a história de uma menina que se faz de grande coisa, mas está longe disso. Diz a letra: “Eu chamo no bate-papo/ Ela paga de santinha/ Frase de Martha Medeiros/Fazendo o tipo certinho/ Mas no fundo é bandida/ E não rola nada sério”.

Não é um poema?

Ok, sem gozação. Uma ouvinte de rádio escutou a música e logo me comunicou por e-mail, não sem antes alertar de que talvez eu me chateasse. Ora, por que iria me chatear? Achei divertido. Pouco importa que não seja o tipo de som que eu costume ouvir, o que vale é a farra, o inusitado, a graça da coisa. O fato de a personagem da música querer se passar por certinha e me citar para conseguir isso é um caso a ser levado para a terapia.

Para a minha terapia. Ando mesmo sem assunto no divã, então esse viria a calhar: quanto me vale essa imagem de “certinha”? Não seria um cárcere privado? Acho bem saudável possuir um lado fandangueiro também, já que no céu só o que se ouve são violinos e harpas, e ninguém quer pegar no sono tão cedo. Um arrasta-pé no inferno, vez que outra, não há de manchar severamente meu currículo.


Jornal Zero Hora - 16 abril 2014
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terça-feira, 15 de abril de 2014

                   


O Sydney me enviou este vídeo lá nas minhas páginas, Gabitoterapia e Plágio Não, sem falar nada, só colocou o link do vídeo,  então, imaginei que ele deva ser leitor do blog, viu o filme dos Mínions que postei estes dias e imaginou que eu fosse gostar.Acertou!

Eu adorei, o filme e a gentileza.

Obrigada Sydney!
Thank you!

=)


Ilustração: Javier Pérez: Aqui

domingo, 13 de abril de 2014

Dentro de um abraço musicada....


Ploft....morri!

<3
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Para quem não conhece, a música foi inspirada neste texto:


Dentro de um abraço
Onde é que você gostaria de estar agora, nesse exato momento?
Fico pensando nos lugares paradisíacos onde já estive, e que não me custaria nada reprisar: num determinado restaurante de uma ilha grega, em diversas praias do Brasil e do mundo, na casa de bons amigos, em algum vilarejo europeu, numa estrada bela e vazia, no meio de um show espetacular, numa sala de cinema assistindo à estreia de um filme muito esperado e, principalmente, no meu quarto e na minha cama, que nenhum hotel cinco estrelas consegue superar – a intimidade da gente é irreproduzível.
Posso também listar os lugares onde não gostaria de estar: num leito de hospital, numa fila de banco, numa reunião de condomínio, presa num elevador, em meio a um trânsito congestionado, numa cadeira de dentista.
E então? Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?
Meu palpite: dentro de um abraço.
Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.
Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incer-ta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente em meio ao paraíso.
O rosto contra o peito de quem te abraça, as batidas do coração dele e as suas, o silêncio que sempre se faz durante esse envolvimento físico: nada há para se reivindicar ou agradecer, dentro de um abraço voz nenhuma se faz necessária, está tudo dito.
Que lugar no mundo é melhor para se estar? Na frente de uma lareira com um livro estupendo, em meio a um estádio lotado vendo seu time golear, num almoço em família onde todos estão se divertindo, num final de tarde à beiramar, deitado num parque olhando para o céu, na cama com a pessoa que você mais ama?
Difícil bater essa última alternativa, mas onde começa o amor, senão dentro do primeiro abraço? Alguns o consideram como algo sufocante, querem logo se desvencilhar dele. Até entendo que há momentos em que é preciso estar fora de alcance, livre de qualquer tentáculo. Esse desejo de se manter solto é legítimo, mas hoje me permita não endossar manifestações de alforria. Entrando na semana dos namorados, recomendo fazer reserva num local aconchegante e naturalmente aquecido: dentro de um abraço que te baste. 

(Martha Medeiros)
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sábado, 12 de abril de 2014

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 13/04/14

A dor do crescimento

Eu tentava descrever como era aquela dor, mas não encontrava jeito. Acontecia nas pernas, nas duas ao mesmo tempo. Não era fadiga muscular, não era um machucado, nem torção, nada tinha inflamado, eu não havia batido com elas numa mesa, nem tropeçado, não parecia nem mesmo dor, e sim um incômodo, um alerta interno.

Eu podia caminhar, até correr, se quisesse. Mas não estava tudo bem, e quando eu vencia a vergonha de não conseguir explicar exatamente o que sentia e me queixava daquilo que nem parecia existir de tão aleatório alguém dizia: não esquenta, é a dor do crescimento.

Um diagnóstico poético demais para uma criança. Como assim, dor do crescimento? Eu crescia numa velocidade irritantemente lenta, tão poucos centímetros por ano, não acreditava que esse ganho ínfimo de estatura, imperceptível, pudesse originar dor. Dor vem do choque, vem do baque, deixa marca, tem motivo, não poderia nascer assim de um alongamento que ninguém conseguia enxergar a olho nu.

Reumatismo também não era, porque reumatismo era doença de avós. Tudo bem que eu já estivesse com quase 11 anos, mas não era assim tão velha.

“É dor do crescimento, menina, todo mundo tem, não te bobeia. Já já passa”.

Não passou. Apenas subiu das pernas para o coração e depois foi ainda mais para cima, alojando-se no cérebro. Abandonou os membros inferiores e passou a fazer turismo em duas regiões de mais prestígio. Essa transferência aconteceu logo que eu parei de alongar verticalmente e virei o que se chama por aí de gente grande e estabilizada.

Mas gente grande continua crescendo?

Pois é. Não me peça para explicar, porque sigo não encontrando um jeito de. Às vezes dói no peito, às vezes na cabeça, às vezes nos dois lugares ao mesmo tempo, mas não há nada sangrando, e também não é fadiga, mesmo já se tendo vivido bastante e cansativamente. Torção... Não, também não. De novo, ninguém esbarrou numa mesa, nenhuma parte do corpo ficou roxa, não é um arranhão, nem parece dor.

Então é o quê? Um esgotamento por fazer sempre as mesmas perguntas irrespondíveis, por se retorcer com questões que aparentam ter soluções simples, mas não têm, por não aceitar que seja difícil o que deveria ser fácil, por se flagrar tendo reações contundentes quando a vontade era de chorar baixinho, por tentar estabelecer uma forma de vida que organize o caos, mesmo sabendo que o caos está sempre atrás da porta rindo das nossas tentativas de controlá-lo. Nada fica roxo, mas turva a visão. Nada deixa cicatriz aparente, mas não fecha. Fica aberto, latente, insistentemente lembrando a existência daquilo que não se explica, sobre o qual pouco se conversa, mas que, de alguma forma, também faz a gente ganhar em estatura.

Ainda é a dor do crescimento, e não cessa.


Jornal Zero Hora - 13 abril 2014
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sexta-feira, 11 de abril de 2014




Pessoas,

Hoje eu conheci a história da Raíssa, uma criança de 4 anos, que sofre de uma doença raríssima e não pode receber abraços. Qualquer contato físico com outra pessoa, qualquer atrito causam-lhe lesões na pele. Vocês já imaginaram isso? Uma criança de 4 anos não poder receber um carinho, um afago? Fora o desconforto que essas lesões devem causar. 

O tratamento para a Raíssa é muito caro, por isso, eles criaram um site onde vendem alguns produtos para ajudar a angariar fundos para este tratamento. Lá, vocês também podem ajudar com doações em dinheiro.




Tomara que logo ela possa saber o quão bom 
é receber um abraço beeeem apertado!

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quinta-feira, 10 de abril de 2014


existe um adeus mas sempre havera um Olá

Celebre todos os encontros da sua vida, 

pois inevitavelmente levaremos alguma coisa deles, 

ainda que seja o que não ser e o que não repetir.




(Guilherme Antunes)



Para ler mais Guilherme Antunes: A Ilha de um homem só.
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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 09/04/14

Inclusão

Entre os 45 mil presentes na cerimônia de reabertura do Beira-Rio no último sábado, lá estava eu, emocionada com a sensação coletiva de “volta ao lar”. Vivi intensamente os anos 70 do clube e seus três títulos incendiários. Era uma colorada praticante, de ir ao estádio em todos os jogos. Depois diminuí a frequência, até que deixei de ir.

Passei a assistir apenas às finais de campeonato, e ainda assim pela TV. A última vez que eu estive no Beira-Rio havia sido para assistir ao show do Paul McCartney. E o evento de agora não foi muito diferente. Aquele 7 de novembro de 2010 em que revivi minha paixão pelos Beatles teve o mesmo espírito deste 5 de abril de 2014 em que revivi outra forte paixão da adolescência.

Saudosismo não é doença geriátrica, e sim uma confirmação da nossa consistência emocional. Mas não é sobre isso que quero falar, e sim sobre a importância de milhares de pessoas reunirem-se num mesmo local, com a mesma finalidade. Muita gente se assusta com conglomerações, a ponto de evitá-las. Tem até um nome para isso: agorafobia.

Pânico de estar num espaço público cercado de gente desconhecida. Mas quem vence esse medo recebe em troca uma energia que elimina qualquer desconfiança. Essa “gente desconhecida” faz parte de uma mesma família. O DNA não é o mesmo, mas a pulsão afetiva é direcionada para um mesmo objeto de culto, que pode ser uma banda, um esporte, uma ideologia. Ter interesses em comum com os outros dá uma arejada no egocentrismo.

Podemos ter algumas neuras particulares (neuras, aqui, funcionando como nome carinhoso para nossas manias, não necessariamente uma patologia séria) e isso nos impelir a uma vida mais reservada, mas sempre que radicalizamos na autoexclusão, acabamos por empobrecer a nossa história: é preciso compartilhar as alegrias para fortalecê-las. Por isso, são tão essenciais os encontros entre amigos, as festas de aniversário, tudo o que interrompe a monotonia do cotidiano a fim de celebrar quem fomos ontem e quem somos hoje, valorizando os sucessos e fracassos adquiridos pelo caminho – tudo o que nos constitui.

Vale para pequenos eventos particulares e grandes eventos públicos. Sair de casa vestindo uma mesma camiseta, de uma mesma cor e com um mesmo propósito é uma forma de deixarmos nosso narcisismo em casa para fazer parte de algo maior, algo que existe além de nós, ainda que nosso também: aquilo que nos representa.

Os que sofrem de agorafobia ou qualquer outra fobia que impossibilite a união com outros do mesmo time (seja esse “time” o do rock, o do surfe, o da moda, o da política, o do futebol, o do ciclismo), tratem-se, curem-se e se abram para o pertencimento. Não existe solidão que resista a uma voltinha para longe do próprio umbigo.



Jornal Zero Hora - 09 abril 2014
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terça-feira, 8 de abril de 2014

Untitled

"Amar é ter um pássaro pousado no dedo. 

Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, 

a qualquer momento, ele pode voar.”


(Rubem Alves)


Ilustração: Valeria Docampo: Aqui


"Então, cuide bem de você. Do que você sente, do que você faz, 
do que você vê e agrega. Cuide dos seus, avalie a sua importância. 
Tome conta de si, reajuste – se, pergunte - se. 
Inclua o necessário, desligue o menos importante. 
Abra mão quando for preciso. 
Aumente a beleza do verbo permanecer
Descuidos são nocivos. 
Ligeirezas arranham."



(Priscila Rôde)



Para ler mais Priscila Rôde: Mar Íntimo
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