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segunda-feira, 25 de maio de 2015

love dance.

"Que todo mundo tenha… 

O verso mais bonito.

 A música que não se esquece. 

O par pra toda dança."



(Ana Jácomo)

sábado, 23 de maio de 2015

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 24/05/15

Bá, agora tu me pegou


Tenho vontade de abraçar afetuosamente aquele que se confessa inapto para explicações com tanta gente enrolando por aí

O texto em que condenei os serviços prestados em estabelecimentos comerciais de Porto Alegre (Chardonnay Tinto, publicada em Zero Hora do dia 13 de maio) teve um retorno expressivo. Alguns empresários me alertaram de que o problema não se resume a treinamento há também muita falta de comprometimento dos funcionários, que optam pelo rodízio de empregos em vez de se dedicar a um plano de carreira.

Feito este registro, o que restou foi a concordância maciça dos leitores e relatos de casos engraçados envolvendo atendimentos sofríveis. Da série rir para não chorar.

O que mais me divertiu foi uma frase clássica que se aplica em restaurantes no momento em que pedimos para o garçom esclarecer o modo de preparo de um prato. Sabe-se que o cliente não tem superpoderes para adivinhar do que se trata o “Filé Gruta Azul” ou o “Frango à moda do chef” e, se a descrição não está no cardápio, só resta perguntar: como é que é? Não raro o garçom, simpático e solícito, responde: “Bá, agora tu me pegou”.

Com você, nunca?

Não só em restaurantes. Você entra numa loja e pergunta se tem aquela calça verde da vitrine, só que na cor preta. “Bá, agora tu me pegou.” Dá para pagar com cheque? “Bá, agora tu me pegou.” O feriado é na terça, a loja abrirá na segunda? “Bá, agora tu me pegou.”

É a expressão que define o atendimento gaúcho. Estão todos os elementos ali. O orgulho local (“Bá”), nenhuma cerimônia com desconhecidos (“tu”) e a concordância verbal peculiar (“me pegou”) – sem falar na comédia toda. Pô, o sujeito não tinha decorado essa parte. Como será feito o raio do Filé Gruta Azul? É um convite para chutar, mas melhor não. Bora perguntar para o cozinheiro. E torcer para que ele saiba.

Recentemente, eu estava na padaria de um súper sem ninguém para atender no balcão quando vi uma moça uniformizada empilhando umas embalagens ali ao meu lado. Perguntei se era ela quem atendia naquele setor, e ela confirmou assim: “Tu tá com pressa?”.

Inúmeras vezes entrei em lojas cujo atendente estava de olho no seu smartphone e nem levantou a cabeça para dar bom dia, e lembro também... Ah, deixa pra lá, isso já está virando bullying. Fiquemos com a graça da coisa: “Bá, agora tu me pegou”.

Tenho vontade de abraçar afetuosamente aquele que se confessa inapto para explicações. É um indefeso. Não está preparado para enfrentar perguntas difíceis. Tanta gente enrolando por aí, enquanto ele revela sua fragilidade sem subterfúgios. Admite a própria limitação. Mas, obstinado em acertar, vai em busca da resposta.

“O cozinheiro disse que o filé Gruta Azul, moça, é na verdade uma maminha temperada com muita pimenta e que vem acompanhada com batatas ao molho picante e ervas.”

Ervas finas ou ordinárias?, você pergunta, só para zoar.

E ele cai. “Bá, me pegou de novo.”



Jornal Zero Hora - 24 maio 2015
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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Because he always does this and it makes my heart smile :) It's the little things

"Ela me dava a mão e então nada mais faltava. Bastava para que eu me sentisse bem acolhido. Mais que beijá-la, mais que dormirmos juntos, mais que qualquer outra coisa, ela me dava a mão e isso era amor."


(Mario Benedetti)

quarta-feira, 20 de maio de 2015

A maldade do tempo fez eu me afastar de você...



"Te contei tantos segredos que já não eram só meus 
Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu 
Entre palavras não ditas, tantas palavras de amor
Essa paixão é antiga e o tempo nunca passou"

(Tiê - A Noite)
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Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 20/05/15

Pega-ratão

Outro dia usei uma expressão que andava sumida do meu vocabulário: pega-ratão. De onde saiu isso?

Há quem diga que é o mesmo que uma pegadinha, mas não vejo assim. Pegadinha é uma piada que logo se assume como tal. Alguém envolve você numa situação que parece verdadeira, mas no instante seguinte revela que não era pra valer, estava apenas se divertindo com a sua reação. O objetivo era fazer todos darem risada, uns antes (os que arquitetaram a brincadeira), e depois o pobre do mané ao descobrir a tramoia da qual foi vítima. Qual a saída dele a não ser rir também? Pegadinha é isso, um pega-ratinho.

Pega-ratão, como o superlativo indica, é uma armadilha mais engenhosa e que não é revelada nem antes nem depois: os mentores jamais admitirão que tentaram engambelar. Alegarão que não ousariam cometer essa deselegância conosco, os ratões, pessoas bem-informadas, que pagam ingressos caros para ver um show, para visitar uma exposição e até mesmo para comer um determinado prato num restaurante da moda. Para pegar um ratão, é necessária uma artimanha sofisticada e de preferência amparada pela mídia, que também pode ter entrado de gaiata.

Salvo exceções, considero que instalações artísticas são uma espécie de pega-ratão com um verniz intelectualizado. Se eu estiver sendo muito provinciana, aceito humildemente a crítica e o xingamento, mas o fato é que quase nunca entendo o que significam aquelas latarias, ferragens, cordas caindo do teto e demais materiais inorgânicos (às vezes, orgânicos) promovidos a arte moderna, bastando um holofote jogado em cima.

Restaurante minimalista, com pratos insípidos e minúsculos custando a bagatela de R$ 80: pega-ratão. A recompensa talvez seja a publicação da foto da guloseima no Instagram e o cliente ter o nome publicado na coluna social, o que uma macarronada honesta num restaurante simples não proporcionaria – macarronada sacia sua fome, não seu apetite de status.

Encontros às escuras, anúncios de apartamentos “nobres” em que os quartos são menores do que banheiros, filmes que se anunciam como continuação de um sucesso: tudo pega-ratão. Está passando nos cinemas um tal Divã a 2, cujo cartaz possui a mesma programação visual do filme baseado no meu livro Divã e que teve excelente bilheteria em 2009, com a grande Lilia Cabral liderando o elenco, além de roteiro de Marcelo Saback e direção de José Alvarenga Jr, todos feras. 

Pois, afora esse cartaz enganoso, o filme atual não conta com o mesmo elenco, nem a mesma equipe e não tem nada a ver com meu livro. Por falta de estofo próprio, recorreu à armadilha de colocar um número 2 no título para – nhac! – atrair os desavisados.



Então, esteja avisado. Os ratos estão do outro lado do balcão.


Jornal Zero Hora - 20 maio 2015
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terça-feira, 19 de maio de 2015

Engagement pictures: LOVE the lighting and setting

"E quero que você venha,
quero que você chegue,
quero que você more,
quero qe demore o
tempo de uma vida
ao meu lado."




(Cáh Morandi)

sábado, 16 de maio de 2015

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 16/05/15

O segundo encontro

Afinal, um encontro não é uma boa notícia?

O segundo, ela me respondeu.

Ela estava sentada bem na minha frente, abalada, desanimada, com péssimos presságios em relação ao que aconteceria dali a duas horas: ela teria o primeiro encontro com um homem de quem estava muito a fim. Me explica, pedi. Me explica por que você não está soltando foguete. Me explica o motivo para não estar no cabeleireiro. Me explica a parte que eu perdi: afinal, um encontro não é uma boa notícia?

O segundo, ela me respondeu. O segundo encontro me faz soltar rojão. O primeiro é ir para o sacrifício.

Diante do meu espanto, ela resolveu reavivar minha memória.

Primeiro encontro, disse ela, é que nem entrevista de emprego. O nível de stress é o mesmo. Você não pode ir produzida demais, para que ele não pense que você está desesperada, nem ir vestida de qualquer jeito, para ele não pensar que você está pouco se lixando. Você não pode ser muito engraçada, para não passar a impressão de frivolidade, nem séria demais, para ele não te considerar uma chata.

Você não pode falar dos seus ex-amores, para ele não ficar inseguro, mas se não mencionar nenhum ele vai pensar que você é uma laranja podre que ninguém quis catar do chão. Você não deve beber demais, pois seria deselegante, mas pedir um suco vai fazê-lo pensar que você tem 14 anos.

Você passa a noite falando sobre tudo de que gosta – filmes, cidades, programas de tevê, esportes, música – e precisa se controlar para não pedi-lo em casamento quando ele concordar com suas preferências, ou se controlar para não cair em prantos quando ele disser que os Rolling Stones são detestáveis e que não suporta rock, mas que morreria por um show ao vivo do Lionel Richie.

Ela continua: “Aí você lembra que o Lionel Richie bem que se esforçou, compôs We Are the World com o Michael Jackson e você quase gostou daquela música que ele fez para o filme O Sol da Meia-Noite, e percebe que já está fazendo concessões antes mesmo de seu pretendente pedir a conta, e ia esquecendo esta parte, a conta: se você se oferece para dividir, ele pode te achar bacana, mas também pode desconfiar de que você seja uma feminista que nem ao menos se depila.

E se você não se oferece para pagar ele pode te achar uma folgada ou, ao contrário, te considerar uma fêmea que reconhece seu papel no jogo, uma mulher acostumada a sair com cavalheiros – como saber?”.

Apavorada com o quadro esquizoide que ela me apresentava, arrisquei: nenhuma possibilidade de ser você mesma, criatura?

“Claro que existe a possibilidade de ser eu mesma. No segun...”

Não, não: nenhuma possibilidade de ser você mesma no primeiro encontro?

“Zero”. E assim, convicta, preparou-se para a ida ao sacrifício. Retirou seu Crocs e pediu minha sandália emprestada.



Jornal Zero Hora - 17 maio 2015
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quinta-feira, 14 de maio de 2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 13/05/15

Chardonnay tinto

Outro dia fui a um bistrô com um amigo. Eram 21h30min e havia pouca gente. Carta de vinhos inexistia, tal a escassez de opções. Tudo bem. Pedi um cálice de espumante e meu amigo um cálice de chardonnay. Meu espumante veio morno e sem gás, e descobrimos que existe chardonnay tinto.

Com a quantidade de problemas que o Estado tem para resolver, falar sobre o serviço dos estabelecimentos comerciais parece frivolidade, mas não é. Em um mercado competitivo, mau atendimento é fator de descarte. Talvez os empresários gaúchos não estejam dando a devida atenção ao assunto porque sua concorrência também oferece um atendimento sofrível. É possível que pensem: para que investir em treinamento? Quem for menos pior está no lucro.

É comum encontrarmos atendentes desinformados, mas o que mais espanta é a displicência diante do cliente. Nos supermercados é visível o desleixo de rapazes e moças de todos os setores. Uma rede em especial me tira do sério e só frequento para emergências. Como costumo ir cedo, já desisti de ser atendida na peixaria, por exemplo. É a hora do café do funcionário e o balcão fica às moscas. 

Não existe um gerente no local que explique a razão de não haver um substituto. Ninguém se responsabiliza. Esqueça o peixe. Compre frango, patinho, alcatra ou volte mais tarde, e torça para chegar num momento em que o rapaz não esteja ocupado, comentando os resultados do Brasileirão com algum colega.

Como se sabe, a pessoa mais importante para os funcionários, durante o expediente, é o colega. O cliente não passa de um estorvo que interrompe a conversa agradável que eles estão tendo sobre a novela, sobre o gol perdido pelo centroavante, sobre os dias que faltam para eles saírem de férias. Não é proibido conversar, mas seria simpático se fizessem isso com discrição e quando não houvesse cliente em volta.

O cliente gosta de ser percebido. O cliente gosta de ver o funcionário focado no que está fazendo. O cliente gosta de saber que está deixando seu dinheiro numa empresa que valoriza sua presença. Outro dia passei com um carrinho lotado de compras ao lado de dois garotos que, em tese, deveriam estar no estacionamento do súper para ajudar os clientes a descarregá-las, mas ambos estavam ocupados com uma competição de arrotos. Sem problema, posso tranquilamente descarregar minhas compras sozinha, mas preferiria que os meninos estivessem competindo por uma gorjeta.

Generalizando: no Rio Grande do Sul, cliente é um mal necessário. E a culpa dessa distorção não é do empregado, e sim do patrão. Do dono do bistrô que não treina seu garçom, da dona da loja que não adverte a balconista que masca chiclete enquanto mostra o produto, do dono do supermercado que não estabelece normas de conduta.

Aos que atendem de forma cortês e eficiente, nossa fidelização e cumprimentos. Aos relapsos, parafraseio o querido Anonymus Gourmet: não voltaremos.


Jornal Zero Hora - 13 maio 2015
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terça-feira, 12 de maio de 2015

Twas' 11 days before Christmas, around 9:38  When 20 beautiful children stormed through Heaven's Gate.  Their smiles were contagious, their laughter filled the air.  They could hardly believe all the beauty they saw there.  They were filled with such joy, they didn't know what to say.  They remembered nothing of what had happened earlier that day.  "Where are we?" asked a little girl, as quiet as a mouse.  "This is Heaven." declared a small boy. "we're spending Christmas at God's House."

"Todo dia, indagada sobre o que quero propagar no mundo, escolho propagar o amor, a beleza, o bom humor, as imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano, em vez do medo, que conta com propagadores demais. Não significa que necessariamente eu esteja nestes lugares toda vez que os propago, mas que acredito neles. Que acredito que prevalecerão, também em mim."


(Ana Jácomo)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Martha Medeiros - Jornal Zero Hora - 11/05/15

A desagradável tarefa de fazer-se odiar

Pais de família estão cada vez mais participativos, atuantes, necessários, afetivos, fundamentais na criação dos filhos, ao contrário do que acontecia nas gerações anteriores, quando o pai era uma figura cerimoniosa, o provedor que detinha a última palavra nas questões graves e terceirizava o resto. Hoje não. Hoje os pais deitam, rolam, se embolam, se envolvem nas pequenezas cotidianas, são quase mães.

Quase. Porque tem uma coisa que a maioria deles ainda não consegue assumir: a desagradável tarefa de fazer-se odiar.

Li essa frase num livro (em outro contexto) e achei que fechava perfeitamente com a maternidade. O que é ser mãe, senão tomar para si o papel de chata da família?

As cobranças do dia a dia são especialidade nossa: o que comeu, o que vestiu, se tomou banho, a toalha no chão, os garranchos, o blusão amarfanhado, a luz que ficou acesa, liga pra tua vó, o estado deplorável do tênis, a hora em que foi dormir, segura direito esse talher, deixa de preguiça, cuidado ao atravessar, não dorme de cabelo molhado, larga esse computador, menos palavrão, hora de acordar, a consulta no dentista, e esse amigo mal encarado, e esse decote provocante, convida os teus primos, não tranca a porta à chave, fecha a janela, abre a janela, não corre pela casa, me avisa assim que chegar, tu anda bebendo?

Não que o pai seja relapso, mas, se ele ainda vive com a mãe das crianças, a patrulha cotidiana possivelmente ficará a cargo do sargento de saias. Nós, tão femininas, tão doces, tão sensíveis, tão amorosas, não pensamos duas vezes em abrir mão desses nossos suaves atributos caricaturais a fim de manter a casa de pé, a roda girando, a vida funcionando, todo mundo no eixo. Se tivermos que ser antipáticas, seremos. Se tivermos que ser repetitivas, que jeito. Controladoras? Pois é. Alguém tem que se encarregar do trabalho sujo.
É uma generalização, eu sei, mas amparada no senso comum. Os pais mandam, ralham, brigam, mas raramente perdem a cabeça, quase nunca gritam e se estressam. Eles têm essa irritante capacidade de manter a boa reputação com os filhos. Se forem obrigados a escolher um lado durante o barraco, dirão que estão do lado da mãe, que estão de acordo com tudo o que ela disse, mas irão piscar para o filho quando ela não estiver olhando.

Ao fim e ao cabo, mães dão conta de todas as crianças da casa. Todas.

É o nosso papel: reger a orquestra familiar ofertando nosso melhor, mesmo que ele seja confundido com nosso pior. É o risco que corremos, mas não há outra maneira de educar. O excesso de zelo pode ser estafante, mas é preciso segurar o tranco de ser odiada um pouquinho a cada dia a fim de garantir um amor pra sempre.



Jornal Zero Hora - 10 maio 2015
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